O MAPEAMENTO

+ Apresentação

O momento atual do cenário brasileiro induz a reflexões profundas sobre as questões de segurança energética do suprimento de energia para o país diante dos recentes problemas causados pelas mudanças climáticas afetando o nível dos reservatórios da região Sudeste potencializando a crise energética por meio do acionamento de usinas termoelétricas e pressionando o aumento das tarifas de energia e, por conseguinte os custos de produção comprometendo a competitividade.

Pela primeira vez, percebe-se que a matriz energética brasileira pautada na energia hidráulica, precisa ser reconsiderada e o planejamento energético ser profundamente revisado, para minimizar a dependência desta fonte como potencial supridora de energia do país.

A região sul do país, principalmente o Estado do Paraná, é privilegiado quando se trata de energia hidráulica. No entanto, sua diversificação de fontes alternativas; estimula a revisão e atualização da matriz energética nacional, proporcionando a ela maior capilaridade com a inserção de novas fontes renováveis, convergindo para a necessidade premente de fontes sustentáveis e reforcem a segurança energética nacional.

A região Sudoeste do Paraná, tem potencial em energia renovável, em decorrência do setor agropecuário altamente produtivo, e que se constitui em grande potencial gerador de biomassa, essencialmente biogás. Outras fontes de energia como a energia fotovoltaica, cogeração, resíduos sólidos, eólica e PCH também estão presentes na região, estabelecendo um forte apelo para a criação de um novo modelo de desenvolvimento regional basilado em energias renováveis, que poderá tornar-se referência no tema.

Paralelamente, novos conceitos como Smart Grid ou Redes Elétricas Inteligentes - REI e Geração Distribuida - GD permite que a energia elétrica gerada por fontes de biogás ou fotovoltaica, seja conectada a rede, sedimentando o potencial de mercado destas fontes energéticas e assim, atender novas oportunidades de desenvolvimento regional tanto na geração como na criação de uma cadeia produtiva de novos fornecedores de produtos e serviços.

Em sinergia com este cenário, o Projeto para Mapeamento e Análise das Energias Renováveis na Região Sudoeste do Paraná identificou de acordo com sua vocação econômica regional, o potencial energético de biogás e energia fotovoltaica, podendo assim estimular o empreendedorismo dos pequenos negócios na região e mapear a cadeia produtiva regional de empresas de tecnologia, produtos, serviços, universidades e centros de pesquisas, que atuam em energias renováveis.

Para este estudo foi aplicada metodologia denominada Mapeamento Macro estratégico, por meio da qual foi definido o mapeamento mesorregional de interesse do estudo com base nos critérios adotados pelo Plano de Desenvolvimento Regional Integrado - PDRI. Por este critério, a mesorregião Sudoeste do Paraná é constituída por cinco microrregiões:

  • Microrregião 1: Pato Branco;
  • Microrregião 2: Francisco Beltrão;
  • Microrregião 3: Dois Vizinhos;
  • Microrregião 4: Palmas;
  • Microrregião 5: Fronteira.
  • Os municípios selecionados pautaram-se em indicativos de maior densidade de fontes potenciais de energias renováveis.

    Os dados coletados originaram-se de reuniões de trabalho e visitas técnicas a empresas e instituições de interesse para o estudo, realizadas no ambiente industrial enfatizando os pequenos negócios do Sudoeste do Paraná e sua cadeia produtiva, gerando output para identificar o potencial de biogás da região e propor um conjunto de soluções.

    Para a tangibilização dos resultados do mapeamento, foram elaborados casos práticos para Produtores Rurais associados à CRESOL e Frigorífico de Suínos, com a modelagem de viabilidade técnico-econômico, apresentados em separado.

    Para acesso aos casos práticos e a versão completa do Mapeamento e Análise das Fontes das Energias Renováveis no Sudoeste do Paraná clique aqui.

    + Cenário das energias renováveis na Região Sudoeste do Paraná

    Em particular, sabe-se que uma das grandes fontes de energias renováveis da Região Sudoeste do Paraná é a energia do biogás. A energia do biogás pode vir de propriedades rurais, principalmente gerada pelos estercos de suínos e também da agroindústria e dos aterros sanitários através dos efluentes industriais e municipais.

    De acordo com os resultados obtidos dos estudos deste projeto verificou-se que existem principalmente três estágios de evolução da energia do biogás, a serem implementados no Brasil. O estágio 1.0 já foi ultrapassado e agora estamos no estágio 2.0, faltando sistemas mais automatizados de controle e automação de processos, rede de assistência técnica dentre outros fatores importantes a serem desenvolvidos na cadeia produtiva, para dinamizar o setor e o uso cada vez mais intenso dessa fonte de geração renovável da Região Sudoeste do Paraná.

    No que tange a energia solar fotovoltaica, a evolução do estagio de geração de energia fotovoltaica em decorrência de fatores econômicos e tecnológicos, ao longo dos últimos anos, apresenta similaridade quando relacionada ao biogás.

    Inicialmente utilizada no final dos anos de 1990 como energia solar para aquecimento, ficou restrito ao uso domestico, passando a ser pensada como fonte de geração de energia elétrica de maneira mais consistente a partir de 2011 com a adoção do P&D Estratégico da ANEEL, que consistiu em chamada pública para projetos de pesquisa e desenvolvimento nesta área, a fim de proporcionar:

  • Inserção da geração solar fotovoltaica na matriz energética brasileira;
  • Viabilizar economicamente a produção, instalação e monitoramento da geração solar fotovoltaica para injeção de energia elétrica nos sistemas de distribuição e/ou transmissão;
  • Incentivar o desenvolvimento no país de toda cadeia produtiva da indústria solar fotovoltaica com a nacionalização de tecnologia;
  • Fomentar o treinamento e a capacitação de técnicos especializados na área em universidades, centros de pesquisa, centros tecnológicos e empresas,
  • Estimular a redução de custos de geração de energia fotovoltaica; e
  • Propor o aperfeiçoamento regulatório e tributário para viabilizar economicamente a geração solar fotovoltaica.
  • Com a efetividade da proposição acima, somado aos ajustes na Resolução Normativa 482/12 no final de 2015, e considerando o potencial solarimétrico da região Sudoeste do Paraná, com índice médio anual de 5,21 kWh m2/dia, a região pode vislumbrar um futuro promissor com a adoção desta fonte na matriz energética regional, como é possível observar no mapa do potencial fotovoltaico do Paraná.

    GEORREFERENCIAMENTO

    Dimensão
    Todas as Dimensões
      Avicolas
      Cadeia Produtiva
      Indústrias de Processamento
      Universidades e Faculdades
    Associados (Cresol)
    Atividade
    Todas as Atividades
     Frigorifico Bovino
     Frigorífico de Aves
     Frigorifico Suíno
     Latícinio
    Segmento
    Todos os Segmentos
     Agroindustria Aves/Peixes
     Aviários
     Gado Leiteiro
     Hortaliça
     Produção de Fumo
     Produção e Armazenagem de Grãos
     Suínos
    EnéasMarques Capanema Planalto Pérolad'Oeste Pranchita Bela Vistada Caroba Ampére Santo Antôniodo Sudoeste Bom Jesusdo Sul Barracão Realeza Santa Izabeldo Oeste Flor da Serrado Sul SalgadoFilho Manfrinópolis Pinhal deSão Bento Marmeleiro Renascença Vitorino Mariópolis Clevelândia Palmas CoronelDomingosSoares HonórioSerpa Mangueirinha Pato Branco Coronel Vivida Chopinzinho BomSucessodo Sul Itapejarad'Oeste São João Saudadedo Iguaçu Sulina São Jorged'Oeste Francisco Beltrão NovaEsperançado Sudoeste Salto doLontra Nova Pratado Iguaçu Verê Dois Vizinhos BoaEsperançado Iguaçu Cruzeiro do Iguaçu

    RESULTADOS

    Basilado nos resultados no mapeamento e em dados referenciados por especialistas sobre o tema foi possível estimar o potencial de energias renováveis das dimensões de estudo com foco no biogás e energia fotovoltaica: avícolas, frigoríficos de aves, frigoríficos de suínos e laticínios.

    POTENCIAL DE BIOGÁS POR SETOR

    + AVÍCOLAS

    Em média, cada ave produz 1,31 kg/ano de biomassa proveniente da cama de aviário . No Quadro a seguir, temos o volume total de cama de aviário das avícolas mapeadas neste estudo o que possibilita determinar seu o potencial energético.

    Assim, basilando-se na referencia em epígrafe, e nos números registrados no presente estudo, foi possível estimar o potencial de biogás da dimensão avícolas da região Sudoeste paranaense.

    Potencial de Produção de Biogás - Avícolas Mapeadas

    A partir do cálculo do potencial de produção de biogás, é possível estimar a geração de energia elétrica, que após o resultado da análise econômica, reduzir os custos com a compra de energia, e assim contribuir com a melhoria dos resultados de toda a cadeia produtiva, principalmente dos pequenos negócios.

    A estimativa de geração de energia elétrica com a utilização do biogás se dá pela multiplicação do volume de produção de biogás pelo fator de conversão em eletricidade através de motores geradores igual a 1,47 kWh.

    Estimativa do Potencial de Produção de Biogás e Energia Elétrica - Avícolas Mapeadas

    Considerando o valor aproximado do kWh de R$ 0,38 a produção estimada de 2.600.272 kWh gerada pelas avícolas de aves mapeadas, equivale a uma redução de custo com energia elétrica de R$ 988.103,00/ano ou R$ 82.341,95/mês.

    Em 2015, foram produzidas na região Sudoeste do Paraná 358.092.38 , este número representa o abate de 981.075 aves/dia, o que amplia a estimativa do potencial de produção de biogás na região.

    Potencial de Produção de Biogás Avícolas - Total Região Sudoeste Paraná

    Convertendo o resultado do quadro anterior em energia elétrica, teremos um novo quantitativo para a região:

    Estimativa do Potencial de Produção de Biogás e Energia Elétrica Avícolas - Total Região Sudoeste

    Considerando o valor aproximado do kWh de R$ 0,38 a produção estimada de 443.398.981 kWh produzida pelos frigoríficos de aves da região, equivale a uma redução de custo com energia elétrica de R$ 168.491.612,80/ano ou R$ 14.040.967,73/mês.

    + FRIGORÍFICOS DE AVES

    O efluente proveniente de abatedouro avícola tem grande capacidade produtora de biogás, devido a sua constituição rica em matéria orgânica.

    Os principais gases produzidos durante a degradação dos constituintes orgânicos são o metano, dióxido de carbono e o óxido nitroso. Um método amplamente empregado no tratamento de resíduos é a biodigestão anaeróbia para captação destes gases.

    No setor industrial avícola, os efluentes gerados são ricos especialmente em óleos e graxas, sólidos suspensos, nitrogênio, fósforo, proteína e lipídios, que são os responsáveis pela alteração do pH, dos sólidos totais, da demanda bioquímica de oxigênio (DQO), da demanda química de oxigenio (DQO), entre outros parâmetros.

    Considerando o conjunto de fatores já mencionados que podem interferir na produção de biogás, em estudo realizado recentemente em uma grande unidade industrial avícola da região Oeste do Paraná, da qual dependem centenas de pequenos negócios que integram a cadeia produtiva de aves, referenciando-se em resultados apropriados à produção de gás, determinou-se o volume de biogás produzido por animal abatido diariamente igual a 2,78m3/dia.

    No total das indústrias frigoríficas de aves mapeadas registrou-se a quantidade de abate 200.000 unidades/dia. Considerando volume de biogás produzido por animal abatido diariamente de 2,78 m3/dia-1, teremos o potencial de produção de biogás nos frigoríficos de aves.

    Potencial de Produção de Biogás - Frigorífico de aves Mapeados

    A partir do cálculo do potencial de produção de biogás, é possível estimar a geração de energia elétrica, que após o resultado da análise econômica, poderá por meio da cogeração reduzir os custos com a compra de energia, e assim contribuir com a melhoria dos resultados de toda a cadeia produtiva, principalmente dos pequenos negócios.

    A estimativa de geração de energia elétrica com a utilização do biogás se dá pela multiplicação do volume de produção de biogás pelo fator de conversão em eletricidade por meio de motores geradores igual a 1,47 kWh.

    Estimativa do Potencial de Produção de Biogás e Energia Elétrica - Frigoríficos Aves

    Considerando o valor aproximado do kWh de R$ 0,38 a produção estimada de 817.320 kWh produzida pelos frigoríficos de aves mapeados, equivale a uma redução de custo com energia elétrica de R$ 111.809.376,00/ano ou R$ 9.317.448,00/mês.

    Em 2015, foram abatidos na região Sudoeste do Paraná 353.885.284 , este número representa o abate de 969.549 aves/dia, o que amplia a estimativa do potencial de produção de biogás na região.

    Potencial de Produção de Biogás - Frigorífico de aves - Total região Sudoeste do Paraná

    Convertendo o resultado em energia elétrica, teremos um novo quantitativo para a região.

    Estimativa do Potencial de Produção de Biogás e Energia Elétrica - Frigoréficos Aves - Total região Sudoeste

    Considerando o valor aproximado do kWh de R$ 0,38 a produção estimada de 3.962.158 kWh produzida pelos frigoríficos de aves da região, equivale a uma redução de custo com energia elétrica de R$ 542.023.214,40/ano ou R$ 45.168.601,20/mês.

    + FRIGORÍFICOS DE BOVINOS

    O rebanho de bovino do estado do Paraná representa cerca de 4,33% ou 9.181.577 cabeçaas, sendo 1.027.036 localizadas na região Sudoeste do estado. O abate no estado em 2015 foi de 1.246.716 , sendo a região Sudoeste responsável 22,2% ou 276.770 abates.

    O tratado correto dos efluentes pode transformar-se em fonte de energia alternativa e renovável de grande potencial, com a geração de biogás.

    Utilizando-se dos critérios adotados por OLIVEIRA (2009), para cálculo da quantidade de geração diária de biogás em abatedouro de bovino por meio do qual se multiplica a quantidade diária de resíduos gerados por cabeçaa de bovino abatido pelo número de animais abatidos e, por conseguinte pelo fator de conversão de matéria orgânica em biogás na ordem de 0,07 mg/kg (Filho 1981) é possível estimar o potencial de biogás nos frigoríficos de suínos mapeados no presente estudo segundo quadro adiante.

    Potencial de Produção de Biogás é Frigorífico de Bovinos Mapeados

    A estimativa de geração de energia elétrica com a utilização do biogás se dá pela multiplicação do volume de produção de biogás pelo fator de conversão em eletricidade através de motores geradores igual a 1,47 kWh.

    Estimativa do Potencial de Produção de Biogás e Energia Elétrica - Frigoríficos Bovinos Mapeados

    Considerando o valor aproximado do kWh de R$ 0,38 a produção estimada de 590,44 kWh produzida pelos frigoríficos de suínos mapeados, equivale a uma redução de custo com energia elétrica de R$ 81.894,03/ano ou ainda R$ 6.824,50/mês.

    Em 2015, foram abatidos na região Sudoeste do Paraná 276.770 cabeças, o que amplia a estimativa do potencial de produção de biogás na região.

    Potencial de Produção de Biogás Frigorífico de Bovinos - Total Região Sudoeste Paraná

    Convertendo o resultado em energia elétrica, teremos um novo quantitativo para a região.

    Estimativa do Potencial de Produção de Biogás e Energia Elétrica Frigoríficos Bovinos - Total Região Sudoeste

    Considerando o valor aproximado do kWh de R$ 0,38 a produção estimada de 3.962.158 kWh produzida pelos frigoríficos de bovinos da região, equivale a uma redução de custo com energia elétrica de R$ 411.245,88/ano ou R$ 34.270,49/mês.

    + FRIGORÍFICOS DE SUÍNOS

    Segundo a FAO (2015) o processamento interno de suínos e consequente produção de carne suína, tem aumentado significativamente desde o ano de 2008, o que garante enorme potencial em geração de resíduos de abatedouros, podendo ser empregado na biodigestão anaeróbia no intuito de tratamento e produção de energia.

    No Sudoeste do Paraná está situado um número significativo de produtores de suínos, e frigoríficos de abate para a comercialização. Por outro lado a produção de dejetos também é significativa, resultante da lavagem de pocilgas, caminhões, equipamentos, utensílios e piso, principalmente, e possui elevado índice de matéria orgânica, reservado à presença de esterco, sangue, gorduras.

    De acordo com estudos da CETESB 2008, a quantidade média dos principais resíduos gerado no abate de suínos, é de aproximadamente 8,3 kg por cabeça abatida.

    Utilizando-se, dos critérios adotados por OLIVEIRA (2009), para cálculo da quantidade de geração diária de biogás em abatedouro de suínos por meio do qual se multiplica a quantidade diária de resíduos gerados por cabeça de suíno abatido pelo número de animais abatidos e, por conseguinte pelo fator de conversão de matéria orgãnica em biogás na ordem de 0,07 m3/kg (Filho 1981) é possível estimar o potencial de biogás nos frigoríficos de suínos mapeados no estudo.

    Potencial de Produção de Biogás - Frigorífico de Suínos Mapeados

    A partir do cálculo do potencial de produção de biogás, é possível estimar a geração de energia elétrica, que após o resultado da análise econômica, poderá por meio da cogeração reduzir os custos com a compra de energia, e assim contribuir com a melhoria dos resultados de toda a cadeia produtiva, principalmente dos pequenos negócios.

    A estimativa de geração de energia elétrica com a utilização do biogás se dá pela multiplicação do volume de produção de biogás pelo fator de conversão em eletricidade através de motores geradores igual a 1,47 kWh.

    Estimativa do Potencial de Produção de Biogás e Energia Elétrica - Frigoríficos Suínos Mapeados

    Considerando o valor aproximado do kWh de R$ 0,38 a produção estimada de 6.046,82 kWh produzida pelos frigoríficos de suínos mapeados, equivale a uma redução de custo com energia elétrica de R$ 827.204,98/ano ou ainda R$ 68.933,75/mês.

    Em 2015, foram abatidos na região Sudoeste do Paraná 1.014.065 , o que amplia a estimativa do potencial de produção de biogás na região.

    Potencial de Produção de Biogás Frigorífico de Suínos - Total Região Sudoeste Paraná

    Convertendo o resultado acima em energia elétrica, teremos um novo quantitativo para a região.

    Estimativa do Potencial de Produção de Biogás e Energia Elétrica Frigoríficos Suínos - Total Região Sudoeste

    Considerando o valor aproximado do kWh de R$ 0,38 a produção estimada de 866.081 kWh produzida pelos frigoríficos de suínos da região, equivale a uma redução de custo com energia elétrica de R$ 329.110,78/ano ou R$ 27.425,90/mês.

    + LATICÍNIOS

    O Brasil possui destaque mundial como 4º maior produtor de leite, o que faz com que seja reconhecido mundialmente no cenário do agronegócio.

    A Região Sudoeste do Paraná vem apresentando nos últimos anos o maior crescimento no rebanho e produção, o que a posiciona como maior bacia leiteira do estado, produzindo cerca de 1.095.843.000 litros de leite/ano , equivalente a 25,2% da produção estadual, ou ainda 3.002.310 litros de leite/dia.

    Uma opção interessante para reduzir os custos com o tratamento de efluente da industrial e, concomitantemente, reduzir os custos com energia, é a reutilizção do efluente para a produção de biogás resultante da fermentação anaeróbica dos produtos lácteos na Estação de Tratamento de Efluentes (ETE).

    Neste estudo, serão consideradas as duas concentrações de DQO permitindo resultados para as indústrias tanto de baixa quanto de alta demanda de DQO.

    Quantidade de DQO gerado por tipo de efluente
    Fonte: SILVA (2011)

    As indústrias de baixa demanda de DQO apresentam um coeficiente de 1,1 litros de efluente por litro de leite processado, enquanto as de alta demanda, apresentam coeficiente de 2,32 litros de efluente por litro de leite processado

    Volume de efluentes gerados por litro de leite - Laticínios Mapeados

    Pela predominância do leite processado na Região Sudoeste do Paraná apresentar baixa demanda de DQO utilizou-se esta caracterização para o cálculo do volume total de efluentes gerados por litro de leite na região.

    Volume de efluentes gerados por litro de leite - Total Região Sudoeste do Paraná

    Nos processos com baixa demanda de DQO, é possível estimar o potencial de produção de biogás, com base em SANTOS et al. (2015), atribuindo o coeficiente de conversão de 0,9451 sobre o volume de efluentes gerados e o período de 28 dias para geração de biogás.

    Assim, no abaixo, temos o potencial de produção de biogás nos laticínios mapeados.

    Potencial de Produção de Biogás - Laticínios Mapeados

    O potencial de produção de biogás no setor de laticínios, basilado na produção e processamento de leite da região, apresenta-se no conforme quadro abaixo.

    Potencial de Produção de Biogás Laticínios - Total Região Sudoeste do Paraná

    O poder calorífico superior do biogás é de 11,07 kWh/m3 , o que permite quantificar o potencial de geração de energia.

    Nos quadros a seguir, apresenta-se a estimativa do potencial de produção de biogás e energia elétrica.

    Estimativa do Potencial de Produção de Biogás e Energia Elétrica - Laticínios Mapeados

    Considerando o valor aproximado do kWh de R$ 0,38 a produção estimada de 21.555,17 kWh produzida pelos laticínios mapeados, equivale a uma redução de custo com energia elétrica de R$ 2.948.747,26/ano ou ainda R$ 245.729,10/mês.

    Estimativa do Potencial de Produção de Biogás e Energia Elétrica - Total Região Sudoeste do Paraná

    Considerando o valor aproximado do kWh de R$ 0,38, a produção estimada de 34.865,52 kWh produzida pelos laticínios da Região Sudoeste do Paraná, equivale a uma redução de custo com energia elétrica de R$ 4.769.602,93/ano ou ainda R$ 397.465,91/mês.

    + POTENCIAL DE PRODUÇÃO BIOGÁS/ENERGIA ELÉTRICA

    Estimativa do Potencial de Produção Biogás/Energia Elétrica - Dimensão Mapeada
    Estimativa do Potencial de Produção Biogás/Energia Elétrica - Total Região Sudoeste do Paraná

    + POTENCIAL DE ENERGIA FOTOVOLTAICA POR SETOR

    O Brasil e rico em recursos naturais e possui recursos humanos disponíveis para atuar na geração de energia solar fotovoltaica. No entanto, apesar de notáveis esforços em algumas fontes renováveis de energia, são poucos os resultados que promovam a propulsão da energia fotovoltaica na matriz elétrica nacional. Problemas relacionados a questão tributária em alguns estados como o Paraná, os custos de investimento, embora apresentem redução ainda tornam impeditivos, principalmente para escalas maiores de consumo que dependem fundamentalmente de equipamentos importados, haja vista que os equipamentos produzidos no país, atendem apenas a pequenos consumidores, apresentando resultados significativamente melhores nas análises e investimento.

    No sequencia, serão apresentados de maneira pragmática o potencial de geração de energia fotovoltaica por setor pesquisado e a respectiva economia no consumo de energia elétrica, e, por conseguinte, o total do potencial da região Sudoeste do Paraná, dimensionados com base no índice de solarimetria da região em referência.

    Para esta análise basilado nos mesmos respondentes do estudo do potencial de biogás.

    Estimativa do Potencial de Produção Fotovoltaica e economia com o consumo de Energia Elétrica por dimensão

    Potencial de Produção Fotovoltaica da regiáo Sudoeste do Paraná

    Considerando média anual de 5,21 kWh/m

    ANÁLISE ESTRATÉGICA

    + MATRIZ DE ATRATIVIDADE E COMPETITIVIDADE DO SETOR

    O resultado da análise da matriz em referência, considerando as dimensões, Frigoríficos (aves, bovinos e suínos) e Laticínios, aponta para alta competividade e uma média atratividade indicando atuar com cautela. Este indicativo demonstra que a área analisada possui um grande potencial em razão de ativos energéticos inexplorados. No entanto, pela carência informacional sobre tecnologia, soluções e informações do custo-benefício, deve avançar com cautela, até que se equacionem tais dificuldades.

    Para a dimensão cadeia produtiva, foram considerados para análise apenas os fornecedores. O resultado da análise da matriz em referência aponta para uma mídia competividade e uma média atratividade indicando reavaliação. Este indicativo demonstra que a área analisada precisa ser reavaliada devido à necessidade da promoção de políticas públicas e incentivos ainda inexistentes que estimulem o desenvolvimento da geração do potencial energético.

    + RECOMENDAÇÕES

    Basilado nas análises e conclusões do estudo é possível estabelecer uma série de recomendações direcionadas tanto para o setor público quanto para o privado.

    SETOR PÚBLICO

    A relação custo benefício dos investimentos em energia renovável apresenta-se elevados em sua maioria, em razão de fatores mencionados no estudo.

    Observa-se a responsabilidade genuína do setor público no fortalecimento e intensificação do uso de energias renováveis, e por esta razão é premente o planejamento e a criação de estímulos à prática desejáveis para o setor, como forma de propulsar a adoção de agenda positiva para energias renováveis, enfatizando o biogás na região Sudoeste do Paraná, a fim de efetivamente prepará-la para utilizar as fontes alternativas e posicioná-la no mercado referente a este tema.

    Para a realização de uma agenda positiva, é basilar estabelecer, sob a égide de Política Pública:

  • A criação do Plano de Desenvolvimento das Energias Renováveis no Sudoeste do Paraná;
  • Fomento e disseminação do uso e desenvolvimento das Energias Renováveis na região;
  • Criação de Política Regional com roadmap de apresentações a nível estadual e federal basilado nos resultados do mapeamento e análises;
  • Criação de linhas especiais de fomento, incentivo e crédito/financiamento (a juros baixos, carência e payback favoráveis) para o setor agroindustrial que precisem desenvolver e investir em geração a partir de Energias Renováveis;
  • Estímulo à criação de incentivos fiscais municipais (IPTU verde, etc.);
  • Divulgação do modelo de micro-minigeração distribuída dentro da RN 482 da ANEEL;
  • Desenvolver planejamento urbano municipal focado na utilização da energia solar fotovoltaica em prédios públicos.
  • Criação de políticas públicas mais claras e de incentivos governamentais que possam viabilizar o potencial energético da região com ações empreendedoras garantam estabilidade de investimentos para projetos de no mínimo 15 anos com retorno sobre o investimento atrativo

    SETOR PRIVADO

    Sob a égide do setor privado, há um conjunto de ações que podem promover o fortalecimento do setor:

  • Criação de um modelo de 'selo sustentável' para a cadeia produtiva (fornecedores de equipamentos e soluções) e setor industrial para promover o desenvolvimento sustentável na Região Sudoeste;
  • Criação de Programas a exemplo do SEBRAETEC Inovação que promovam ações de fomento a sustentabilidade de apoio direto ao setor empresarial por segmento de atuação (Produtores rurais, Frigoríficos, Laticínios, etc.), desde que esses atendam aos critérios de ser:
  • Pequena indústria usuária de Energia Renovável;
  • Indústria de grande porte que use tecnologia da cadeia produtiva suprida por pequenos negócios da região.
  • Disseminação de Programas FINAME do BNDES nas empresas de tecnologia da cadeia produtiva;
  • Estudos e modelagem de negócios das cooperativas focadas na exploração e comercialização de 'energia' para seus cooperados em sua maioria de pequeno porte;
  • Disseminação das tecnologias e fornecedores chaves na região para os potenciais usuários principalmente agroindústrias;
  • Qualificação e treinamento de fornecedores classificados como pequenos negócios nas áreas de tecnologia e prestadores de serviços da cadeia produtiva em Programas de Qualidade como, por exemplo, a ISO;
  • Disseminação do conhecimento sobre o Potencial e Oportunidades das Energias Renováveis entre os setores geradores e elementos da cadeira produtiva dentre eles os fornecedores;
  • Divulgação do potencial de benefícios econômicos, ambientais e sociais por segmento agroindustrial, basilado na modelagem dos estudos de caso;
  • Desenvolvimento de processos de controle e monitoramento da qualidade do biogás produzido nas unidades industriais;
  • Criação de Câmara Técnica de Energias Renováveis para discutir e estimular a adoção de projetos baseados em energias renováveis que contribuam para a superação dos desafios das cadeias produtivas do setor e é construção de um cenário favorável ao desenvolvimento regional sustentável.
  • Desenvolver as relações de parceria entre academia e indústria nas questões de transferência de tecnologia e P&D.
  • + IMPORTÂNCIA DOS RESULTADOS PARA DESENVOLVIMENTO DA REGIÃO SUDOESTE EM ENERGIAS RENOVÁVEIS

    O mapeamento, análises e estudos apresentados nesse documento poderão subsidiar e alimentar as informações e conhecimentos para dinamizar a inserção do tema na região por meio do:

  • Fomento a pesquisa, desenvolvimento, inovação e capacitação voltadas para as fontes de energias renováveis;
  • Mapeamento e cadastro dos recursos energéticos renováveis do Sudoeste do Paraná, referenciados neste estudo;
  • Cadastro dos agentes da cadeia produtiva.
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